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Foto de cottonbro studio |
Produtividade tem sido um dos temas mais recorrentes nas bolhas e debates que tenho acompanhado ultimamente, principalmente dentro da tecnologia. Não é raro observar colegas reclamando da baixa produtividade de si próprios ou de colegas. Mas então, por qual motivo nenhum dos textos que lemos conseguem resolver nosso problema de distração?
Também não tenho essa resposta, mas eu tenho minhas teorias. A primeira delas é que muito provavelmente as pessoas que escrevem esses textos também não conseguiram se livrar desses problemas, ou simplesmente criaram um monte de dicas genéricas para vender livros. Se for isso, este texto não terá o mesmo problema, afinal, não estou querendo te vender nada por dinheiro.
Vamos começar por uma pequena análise do tempo? Vejamos nossos antepassados, será que eles, quando não tinham a tecnologia, se sentiam distraídos como nós nos sentimos? Provavelmente não. Nossos avós e pais nasceram em uma época onde a tecnologia estava engatinhando e, portanto, precisavam viver o mundo real. Meu avô, por exemplo, viveu todos os seus 80 anos de vida na fazenda. Imagine só, como seria a distração dele? Mais saudável que a nossa, provavelmente. O foco dele era muito mais forte do que os nossos. Ele conseguia ficar horas e horas desmontando e montando armas. Assim como andando pela propriedade para consertar cercas e procurar animais.
Nós, por outro lado, não conhecemos um mundo sem tecnologia. Não conseguimos encarar o tédio. Sim, o tédio. Coisas simples, como conversas, comidas do campo, caminhada e um monte de outras coisas que eram comuns, não nos satisfazem. Essa geração sofre uma descarga de dopamina tão grande em seus cérebros, que mesmo um beijo ou sexo com uma pessoa comum, não as satisfazem. Veja o quão banal virou o consumo de pornografia. Antes, para ter uma descarga de dopamina tão grande como essas, as pessoas precisavam sair, conversar, sofrer rejeição, tentar novamente, e por fim, depois de tudo isso e mais algumas coisas, conseguiam chegar ao ato sexual.
Hoje, por outro lado, basta acessar um site pornográfico e se satisfazer sozinho. E não tem outra pessoa que cansa, que não está com vontade, ou que está longe. Percebe como uma barreira foi eliminada? E é assim para muitas outras coisas. Você quer comer uma torta de maçã? Simples, abra seu aplicativo de entrega e pague com seu dinheiro virtual, e em seguida, uma pessoa lhe trará essa torta. Você não precisa sair de casa, ir até o lugar, escolher a torta, comer e depois voltar para casa.
Um livro é a mesma coisa, você compra e ele instantaneamente aparece em seu dispositivo e-reader. Tudo o que fizemos sofreu um grande e rápido processo de otimização. O nosso tempo agora vale mais. Será?
Hiper-otimizamos muitos aspectos da vida, e analisando mais a fundo, são os aspectos mais triviais e importantes das nossas vidas. Ficamos com as partes mais estressantes. Me pergunto até onde essa hiper-otimização de cada aspecto das nossas vidas são saudáveis.
Além disso, são diversas coisas que disputam nossa atenção. Agora imagine um dia altamente estressante e diversas coisas que sugam nossa atenção e foco durante o dia? Como ter foco? É impraticável.
Eu comecei a ter noção desse problema quando eu percebi que estava estressando bastante com comentários nos vídeos do youtube. Veja bem, eu me estressar com haters de outras pessoas, isso é ridículo. Mas não se engane, fazemos isso o tempo todo. Se você tem twitter (X), já passou por essa sensação. Então, eu decidi instalar uma extensão que oculta os comentários do youtube e vídeos recomendados na lateral. Pronto, aí já resolvi parte do problema. Depois eu desinstalei o X e passei a focar na minha própria vida. Um monte de estresse saiu da minha vida. Por fim, desabilitei as notificações de todas as redes sociais. Minha vida ficou bem melhor.
Sabe, a solução pro nosso foco, principalmente em tecnologia, é simples. Elimine a distração. Se te estressar, elimine o foco do estresse. Foque naquilo que você tem controle, pois ficar discutindo, ou carregando a carga mental de se importar com pessoas virtuais, está te ferrando. Foque em viver a vida real, conversar com pessoas reais, saia para comer a comida no local, pare de se colocar em situações de hiper-estímulos. E também, talvez hiper-otimizar todos os aspectos das nossas vidas não seja tão bom assim, não parece valer a pena. Coloque obstáculos propositais em sua vida. Talvez ter uma vida mais fácil, tenha tornado nosso foco e vontade mimados.
Por fim, pare de ouvir dicas de estranhos na internet (eles nem te conhecem e nem sabem da sua realidade).
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